Hollywood precisa de ideias novas

remake do remake

Quando um filme é escrito e produzido, ele tem uma função básica… Divertir. Esta diversão pode ser em forma de risos, choros, medo, excitação, etc. E ao atingir um desses objetivos, o filme torna-se o predileto de alguém.

Fazendo uma análise, de certo tempo pra cá, eu notei que os grandes estúdios de Hollywood, não estão tendo escrúpulos na hora de produzir alguns filmes, criando por muitas vezes continuações desnecessárias, estórias absurdas e principalmente remakes infelizes que deturpam e desmerecem os originais, sejam eles de qualquer ano.

Antigamente, era notório perceber que os grandes estúdios não só visavam lucros, mas também se preocupavam em produzir filmes criativos e cativantes, com diretores e atores conceituados e “multi-talentosos”. Hoje a realidade é outra. Parece que ultimamente a criatividade está esgotando-se em Hollywood, pois para se produzir um filme basta uma ideia banal ou um motivo no mínimo aceitável, seguido de um marketing viral no planeta (diga-se YouTube e Facebook) para nos convencer de que aquele filme é bom, lucrar milhões em cima disso e preparar sequencias desnecessárias com “fundo verde” para ganhar ainda mais.

Claro que (ainda) existem ótimas ideias com boas produções. Mas nos “mágicos” anos 80, os filmes davam lucro porque eram bons e não porque tinham efeitos especiais exagerados, como acontece atualmente. Eles sempre tinham algo criativo e intrigante para mostrar, como excelentes estórias e atuações inesquecíveis. Talvez seja por isso que 90% dos filmes dos anos 80 são melhores do que muitos de hoje. Quem teve a grande oportunidade de vivenciar o cinema naquele período, sabe do que estou falando. Claro que nem tudo são trevas. Existem remakes primorosos, que além de engrandecer as estórias originais, eles apresentam grandes filmes do passado para um público novo.

A seguir, iremos analisar alguns filmes que tiveram remakes que não superaram seus predecessores.

A Hora do Espanto (1985)A HORA DO ESPANTO (1985)

O principal motivo que me levou a criar esta sessão foi quando tive a infelicidade de assistir esta versão de 2011 baseada no clássico dos anos 80.

A primeira versão de A Hora do Espanto (1985), dirigido por Tom Holland, foi um grande sucesso de bilheteria, criando um novo estilo de terror e tornando-se a inspiração para muitos filmes do gênero. Tudo isso graças a um roteiro criativo, músicas envolventes e excelentes atuações, como o misterioso e sedutor vampiro Jerry, interpretado por Chris Sarandon.

Assim como Sarandon, todo elenco principal foi outro ponto alto do filme, destacando o inesquecível Roddy McDowall como Peter Vincent, um ator falido que apresenta uma série de TV que leva o título do filme. O protagonista William Ragsdale, que faz o papel do desacreditado Charley Brewster, que tenta provar para todo mundo que seu vizinho é um vampiro, inclusive para sua namorada Amy, interpretada pela bela Amanda Bearse, que tornou-se uma das vampiras mais horrendas do cinema (veja a foto) sendo destaque no assustador poster do filme. Também não podemos deixar de citar o talento do ator Stephen Geoffreys como Ed, o melhor amigo de Charley que se transforme em um lobo assombroso.

A Hora do Espanto é um daqueles filmes que ficaram marcados na estória do cinema.

A Hora do Espanto (2011)A HORA DO ESPANTO (2011)

Com o intuito de “modernizar” o filme, o remake de 2011 teve muitas mudanças, incluindo roteiro, atores, entre outros detalhes que contribuíram para a fraca bilheteria. A estória se perde várias vezes, com situações forçadas para se encaixarem em uma sequencia absurda de acontecimentos, além disso, os personagens são fracos, sem presença alguma ou qualquer tipo de cativação por parte do público. O filme chega a ser tão monótono que você torce para terminar logo.

Enquanto na versão de 1985, o vampiro Jerry e seu comparsa faziam de tudo para não chamarem a atenção, no novo remake parece que o vampiro canastrão de Colin Farrell faz questão de aparecer, matando pessoas ao ar livre, fazendo perguntas comprometedoras e explodindo casas pela vizinhança.

Entre muitas mudanças, a pior refere-se aos personagens, bem diferentes da estória original. Peter Vincent agora é um ilusionista bêbado e chato (paródia ao mágico Chris Angel) que apresenta um show de mágica nos palcos de Las Vegas. A mãe de Charley tem uma maior participação do que a primeira versão (o que não faz a menor diferença) e o seu melhor amigo Ed o colocaram com um nerd abobalhado, sem graça e que não convence.

Resumindo: Assista a primeira versão de 1985 e tire suas próprias conclusões. Palavra de Filmeiro.

 S.A.

Na próxima semana apresentaremos mais remakes que precisam de um remake! Até lá.

1 comentário para Hollywood precisa de ideias novas

  • Lis Passos  Diga :

    Excelentes comentários.Você tem uma análise crítica muito boa, bem esclarecedora. Realmente um filmeiro de carteirinha. Concordo que, atualmente, parece apenas se preocuparem com lucro e bem pouco com a cativação do público. Amei a percepção que a propagação no Youtube e Facebook é tão efetiva quanto um vírus, as pessoas assistem apenas porque alguém citou e pronto… Sucesso sempre.

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