Homem de Aço, Diretor de Papel…

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Assim como milhões de fãs no mundo todo, eu aguardei ansiosamente pelo lançamento do mais novo filme do Homem de Aço (2013), estrelado pelo desconhecido Henry Cavill e dirigido pelo diretor “quadrinista” Zack Snyder.

Porém, a expectativa foi menor do que a polêmica gerada em torno do filme, que chegou arrasando quarteirões e muitos corações, principalmente dos mais adeptos ao herói. Muitas discussões entre filmeiros, fãs saudosistas do herói original dos quadrinhos e uma legião de cinéfilos “geração efeitos especiais“, foram levantadas. Mas afinal, o filme Homem de Aço é bom ou ruim? Antes de responder esta pergunta, vamos rapidamente elucidar alguns pontos sobre o cinema atual.

CZA3o1CO CINEMA VERSUS A TECNOLOGIA

Desde o seu surgimento, a tecnologia digital do cinema vem criando uma demanda grande de filmes baratos, práticos e na maioria ‘bobos’, que caem de Hollywood, em nosso quintal, como se fossem “frutas podres”. Hoje, por ser mais viável aos estúdios, qualquer assunto banal é um bom motivo para se produzir um filme, seja como spin-off (baseado em um personagem coadjuvante), como um crossover (uma mescla personagens de filmes diferentes) ou até mesmo em uma sequencia desnecessária. Para isto, basta colocar cinco atores em um fundo verde, recheado de luzes e efeitos especiais bacanas, com trailers e “sneak-peeks” envolventes e pronto! Mais uma super produção está concluída para ser empurrado na goela abaixo do público. E graças à toda essa contagiante lavagem cerebral, eis que surge gradativamente um público novo, mais jovem, moderno e tecnologicamente suscetível as campanhas virais de marketing, que não conseguem perceber um dos pontos principais para se eleger um filme de qualidade: uma boa história.

Desde os primórdios, até a “ascensão” do cinema mundial, (principalmente em meados dos anos 70 e 80), uma lacuna de filmes com boas histórias ficou aberta na indústria do cinema. É claro que hoje ainda podemos encontrar filmes criativos, mas graças a banalidade das produções digitais, isso tornou-se raro.

A VERDADEIRA IDENTIDADE DO HOMEM DE AÇO

Diversas pequenas produções (os famosos filmes “B”) já tiveram suas marcas registradas na história do cinema, que graças à um bom enredo, acabaram tornando-se grandes produções anos mais tarde, como: Eclipse Mortal, El Mariachi, Jogos Mortais, A Bruxa de Blair, entre tantos outros.

O filme de Zack Snyder, além de frustrar a necessidade de ver o herói mais poderoso da Terra de volta aos cinemas com todo seu esplendor, acabou servindo também para mostrar ao público, que não se pode esperar muito de filmes grandiosos. 

Os verdadeiros fãs do Super-Homem supermanjesusodiaram o filme de Snyder. Tanto pela falta de critério, ao modificarem drasticamente o comportamento “caxias” do personagem, transformando-o em uma espécie de “messias” ingênuo e abobado, como também pela falta de bom senso na narrativa, que além de grotesca, apresenta grandes falhas de enredo mascaradas por belas fotografias e efeitos especiais. E apesar do esforço da produção grandiosa, não foi desta vez que conseguiram arrancar o título de “cinturão de aço” do filme de 1978, estrelado pelo eterno Christopher Reeve e dirigido por Richard Donner.

2007-0094ZackSnyder_IMG_x900DIRETOR DE PAPEL

Muitos podem não concordar com esse adjetivo, mas talvez porque a maioria dos cinéfilos não perceberam um detalhe importante sobre Zack Snyder… ele é melhor como “diretor de quadrinhos” do que como diretor de cinema. Qual a diferença? No caso de Snyder, os melhores filmes de sua carreira são: 300 (2006) e Watchmen (2009), ambos baseados em quadrinhos e com uma “direção pronta”, como ele mesmo afirmou em uma entrevista. Antes de Homem de Aço, o diretor teve a liberdade de criar, escrever, produzir e dirigir um dos seus piores filmes: Sucker Punch – Mundo Surreal (2011), que apesar da bela fotografia e efeitos visuais (a infalível “compensação” característica de Snyder), o filme não teve história (e nem gibi para servir de guia), nolanresultando em péssimas críticas e uma das piores bilheterias (o filme custou US$ 82 milhões e arrecadou US$ 89 milhões). Já Madrugada dos Mortos (2004) e A Lenda dos Guardiões (2010), ambos dirigidos por Snyder, são daqueles tipos de filmes inexpressivos, ou seja, qualquer diretor desconhecido poderia conduzi-los que ninguém notaria a diferença.

Um bom exemplo de competência e criatividade cinematográfica são os filmes de Christopher Nolan, amigo pessoal de Snyder. Todos os seus filmes são bons, baseados ou não em quadrinhos, como Amnésia (2000), O Grande Truque (2006), Batman – Cavaleiro das Trevas (2008), A Origem (2010), entre outros.

Reign-of-Superman-Toys-Pre-Order_1322837179UM UNIFORME, MUITAS CARAS

O Super Homem, tanto dos quadrinhos quanto da TV, já passou por tantas modificações que em certos momentos quase perdeu seu encanto. Em 1975, os criadores do herói, Jerry Siegel e Joe Shuster, durante uma Jerry Siegel Joe Shustercampanha pública de protesto contra a DC Comics, disseram que a “fórmula” do Super Homem já estava pronta, tendo o personagem já passado por todas as modificações necessárias. Até parecia que a dupla de criadores estavam prevendo as mudanças drásticas que viriam a acontecer com sua criação na série Crise nas Infinitas Terras e na minissérie The Man of Steel, desenhada por John Byrne e ambas publicadas em 1986. O que seus criadores queriam na verdade, era que a DC Comics, detentora dos direitos autorais do herói, mantivesse as características originais do Super Homem, com o acréscimo apenas de pequenos retoques de modernidade e criatividade, sem a necessidade de tantos “apelos comerciais”. E talvez esse seja o grande segredo do sucesso do filme de 1978.

CINTURÃO DE AÇO

super 1O filme dirigido por Richard Donner, ainda é considerado o melhor filme do herói de todos os tempos e não é pra menos. Mesmo com todas as limitações de produção e efeitos especiais da época, Superman – O Filme (1978) conseguiu (e ainda consegue) encantar públicos. Com ótima história, grandes atuações, cenas memoráveis, piadas divertidas, entre tantos outros elementos que ainda fazem desta produção uma relíquia nostálgica imperdível.

Com o lançamento do Homem de Aço (2013), a comparação entre os dois filmes tornou-se ainda mais evidente, como afirma algumas colunas de cinema de conceituados sites de notícias: Jornal O Globo, Jornal Zero Hora, G1.Globo.com, Canal R7, Cinema Uol, Cinema em Cena e a discussão imparcial e bem humorada do JovemNerd – Nerdcast 372, entre tantos outros.

Mas como uma produção tão antiga ainda pode ser melhor do que um filme tão moderno e atual? Saudosismos e descriminações à parte, o filmeiros.com.br comparou os pontos positivos e negativos dos dois filmes:

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Esperamos ter elucidado ao cinéfilos a diferença entre um filme naturalmente bom e um filme “artificialmente” bom.

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