Hulk vs Hulk

hulk

HulkHulk (2003)

Não que Ang Lee, seja um diretor ruim, afinal ele fez o excelente O Tigre e o Dragão (2000) e Razão e Sensibilidade (1995) entre outros. Mas existem momentos em que o ponto de vista do homem que fica por trás das câmeras conta muito. Não se pode colocar um diretor que tem aptidão para aventura e drama para dirigir um filme 100% ação e com um legado de fãs exigentes e fiéis. Afinal estamos falando de um super herói que tem anos no mercado dos quadrinhos. Claro que existem alguns Ridley Scotts da vida que conseguem ser bem ecléticos e dirigir qualquer filme magistralmente, que infelizmente não foi o caso de Ang Lee.

O Hulk do nosso querido diretor asiático foi uma decepção tanto para o público em geral quanto para os fãs do herói esmeralda. O que deu errado? Diversos problemas, entre eles,

Boneco de borracha

dificuldade em achar uma “estrela” para ser o protagonista (até Tom Cruise foi cogitado), atrasos na pós-produção, mas o principal problema foi a história fraca e drasticamente alterada. O fato de Lee ser um diretor de drama ocasionou uma direção confusa com efeitos especiais medonhos e sem naturalidade, sendo esse, mais uma grande frustração para o diretor (Na época, Lee não havia gostado da aparência de “boneco de borracha” que Hulk tinha; então para tentar amenizar isso, a solução foi o herói aparecer constantemente molhado por alguma razão).

Os atores até que tentaram, mas nem as excelentes atuações de Eric Bana, Jennifer Connely e dos veteranos Nick Nolte e Sam Elliot conseguiram salvar o trágico fim deste filme. E dois detalhes importantes que os filmeiros sentiram falta: a inesquecível música composta por Joe Harnell e os assustados olhos verdes de Bruce Banner (leia-se David Banner) momentos antes da transformação. Essas em outras razões são a maior prova de que a direção foi a grande vilã do filme.

incredible-hulk-poster-bigO Incrível Hulk (2008)

A Marvel percebendo que poderia fazer algo melhor pelo herói (e já pensando nos Vingadores), decidiu fazer uma sequência intitulada “Hulk 2”. Mas para não vincular ao filme anterior, a produtora de super-heróis resolveu de última hora dar um novo “boot” na franquia mudando tudo… título, elenco e é claro, o diretor. E o escolhido para este desafio foi o francês Louis Leterrier, até então desconhecido para o resto do mundo (menos para a França). Louis tinha apenas dois filmes de ação em seu currículo: Cão de Briga (2005) e Carga Explosiva 2 (2005), mas foram o suficiente para o estúdio colocá-lo a frente da nova produção.

Essa estratégia de pagar um diretor mais barato e contratar um ator mais caro é utilizada há muito tempo pelos grandes estúdios como uma formahulk2-3 desesperada de salvar uma franquia interessante financeiramente. O que deixa claro que a Marvel, além de cuidar bem da imagem dos seus heróis, ela não quer “queimar seu filme” novamente.

E seguindo o cronograma monetário, a Marvel escalou nada mais nada menos que Edward Norton para interpretar o solitário cientista Bruce Banner, que só aceitou o papel se tivesse carta branca para alterar o roteiro se não gostasse de algo. E foi exatamente isso que aconteceu. Norton ajudou a escrever o roteiro do filme e seu nome foi creditado nos créditos finais como um dos roteiristas. Para contracenar com o astro roteirista, ninguém menos que a bela Liv Tyler, como a filha do General Ross interpretado por Willian Hurt, que não é melhor que Sam Elliot, mas até que convence.

norton-bixby-hulk-eyesDepois de tantos cuidados, finalmente o filme ficou pronto e não decepcionou. Filmado boa parte no Brasil, precisamente no Rio de Janeiro, O Incrível Hulk agradou a todos os fãs e não-fãs do herói. Entre os diversos pontos bons do filme, estão a excelente atuação “vilanesca” de Tim Roth, que dá um show como um soldado obsessivo, revirando os quatro cantos do mundo atrás do poder de Bruce Banner; os efeitos especiais espetaculares que conseguem convencer de que Hulk realmente existe; a famosa trilha de Joe Harnell (que comentamos anteriormente) aparece modesta, mas bem encaixada e finalmente, para a alegria de todos, os famosos “olhos verdes assustados” de Banner antes da transformação.

O resultado final? Um filme muito divertido, com história interessante, efeitos especiais bem dosados e apesar de muitos filmeiros acharem que o Hulk de Mark Rufallo em Os Vingadores (2012) ficou melhor (e ficou!), o gigante esverdeado de Edward Norton não faz feio.

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