O Jedi que tornou-se Sith

George_lucas

UM DIRETOR QUE PERDEU A DIREÇÃO

Após assistir a todos os filmes de George Lucas (desde THX 1138 até o Episódio III de Guerra nas Estrelas), eu posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que Lucas é um grande diretor… de um filme só. E apesar de ter escrito e produzido tantos outros, Guerra nas Estrelas –>leia-se a velha trilogia<– é excepcionalmente a sua única obra-prima como diretor. Claro que não podemos esquecer de Indiana Jones, que como roteirista, conseguiu criar um dos maiores ícones do cinema, dividindo o mérito a direção do amigo Steven Spielberg. Mas como diretor e escritor da “nova trilogia” de Guerra nas Estrelas (Episódios I, II e III), Lucas tornou-se uma grande decepção para a maioria dos fãs da saga, principalmente para este filmeiro que vos escreve. Mas afinal, ainda podemos considerar este diretor um gênio da 7ª Arte ou será que ele acabou tornando-se o que sempre odiou, um capitalista da indústria cinematográfica?

O LADO JEDI DE LUCAS

Vamos lá… Quando assisti Guerra nas Estrelas (1977) pela star warsprimeira vez, na extinta TV Manchete, eu simplesmente fiquei impressionado, não só com os efeitos especiais, mas também como um filme de ficção-científica poderia ter uma história tão interessante com personagens tão envolventes. Parecia que o velho estereótipo do ingênuo garoto da fazenda, que salvava a bela princesa do malvado vilão de roupas negras ainda funcionava. E não era um vilão qualquer. A primeira aparição de Darth Vader, com sua voz e respiração marcantes, ainda impressiona pela bela composição da cena. Além de Vader, o filme também trazia outras figuras interessantes, como a dupla de robôs mais simpáticas do cinema, o pequeno mestre aparentemente frágil e o mercenário canastrão que tornaria-se o melhor personagem de toda a franquia. Todos esses elementos ainda conseguem prender a nossa atenção até hoje.

A “ópera espacial”, como o próprio Lucas o denomina, consegue nos transportar para um universo onde toda a supremacia tecnológica é sutilmente subjugada pelo misticismo do poder da “Força”, emanada pelos misteriosos Cavaleiros Jedis. E por incrível que pareça, toda esta fórmula acabou dando mais do que certo para a época. Isso graças ao meticuloso cuidado que a jovem mente de George Lucas teve ao escrever o roteiro. O resultado você já thx 1138sabe. O filme criou e definiu o termo “Blockbuster” do mundo do cinema, tornando-se o melhor exemplo de marketing e franchising mundial que um filme já concebeu. Mas nem tudo foram flores para o jovem cineasta. Após bater com a cara na porta de muitos estúdios, o pupilo de Francis Ford Coppola teve muito jogo de cintura para conseguir alguma empresa que acreditasseamerican_graffiti_bob_falfa no seu filme. Em sua bagagem, Lucas tinha apenas a singela ficção THX 1138 (1971) e a comédia juvenil American Graffiti (1973), estrelada por Harrison Ford e Ron Howard (que mais tarde também tornaria-se diretor). Até que a 20Th Century Fox apostou na ideia com a condição dele abrir mão sobre a renda do filme. Ele aceitou fazendo uma contra-proposta de ter o direito sobre todo o franchising da franquia, sendo esta a melhor solução de lucratividade para George Lucas.

NÃO SABÍAMOS, MAS QUERÍAMOS MAIS!

Após o sucesso estrondoso (e inesperado), George Lucas tinha muito mais para mostrar daquele fascinante universo, então, sem que ninguém soubesse, veio o segundo filme da trilogia (ou quinto, pela cronologia)220px-SW_-_Empire_Strikes_Back, O Império Contra-Ataca (1980).

Considerado pela maioria dos fãs como o melhor filme da série (e realmente é!), graças à riqueza de detalhes que o próprio Lucas supervisionou 912004112023pessoalmente ao abrir mão da direção para o mestre Irvin Kershner, esta segunda sequência impressiona pela direção e produção, com destaque às cenas de perseguição da espaçonave Milleniun Falcon, acompanhadas pela insuperável trilha de John Williams. Sem desmerecer o maior destaque do filme, o momento em que o maior vilão da saga, Darth Vader, declara a dolorosa verdade ao jovem Luke Skywalker: “- Eu sou seu pai!”. Na época a fala que constava no script de David Prowse (o ator que emprestava o corpo a Darth Vader) revelava que Obi-Wan Kenobi era o verdadeiro pai de Luke. Lucas criou este artifício para que a informação não vazasse nos bastidores. Mas durante a pós-produção, ao dizer a verdadeira fala na voz do vilão, o ator shakespeariano James Earl Jones ficou pasmo ao saber a verdade, chegando a indagar a Lucas: “-Isto está correto?”.

return-of-the-jedi-2Já o terceiro filme, O Retorno de Jedi (1983), muitos fãs consideram o mais fraco da série, mas não pelo roteiro e sim pela presença excessiva dos “ursinhos” Ewoks. Eu particularmente gosto de tudo deste filme, destacando as cenas de perseguição das speeder bikes em meio a floresta, a batalha que acontece na órbita do planeta e a guerra psicológica entre Luke, o Imperador Palpatine e Darth Vader. Esses são alguns dos pontos altos do filme.

O LADO SITH DE LUCAS

Com o passar dos anos, parece que Lucas tornou-se mais capitalista do que amante da arte, relançando a velha trilogia diversas vezes no cinema, no formato remasterizado e anos depois em THX; logo após vieram 4 versões de DVD Pack e a última em Blu-ray, sempre com a desculpa de melhorá-los aqui e ali (o que acabou estragando muitas partes do filme).

E graças a evolução tecnológica do cinema, eis que chega o momento de contar a história do início de toda a saga, como tudo começou. Uma grande euforia tomou conta dos fãs da saga ao saberem que uma nova trilogia de Guerra nas Estrelas estaria sendo escrito pelo próprio Lucas. Finalmente iríamos conhecer a origem de Darth Vader, a terrível batalha das Guerras Clônicas e como os irmãos Leia e Luke foram separados em seu nascimento. Mas infelizmente, os novos filmes decepcionaram e acabaram transformando-se em mais uma oportunidade de franchising excessivo da Lucas Arts, Lucas Film e associados “autorizados” à explorar os velhos e novos fãs de Guerra nas Estrelas.

star_wars_episode_one_the_phantom_menace_ver2A NOVA TRILOGIA DA FORTUNA

Quando Episódio 1 – A Ameaça Fantasma (1999) foi lançado, eu confesso que fiquei muito empolgado, afinal era Guerra nas Estrelas que estava voltando aos cinemas. Mas infelizmente, a decepção veio junto com Jar Jar Binks e outros atores desencaixados em personagens fracos e sem personalidades. Nem Liam Neeson conseguiu salvar o filme. Parecia que George Lucas havia escrito o filme de qualquer jeito, sem coração. Então por que não poderia ser diferente? Afinal, ele foi o progenitor dos milhões de fãs espalhados por todo o planeta.

Se juntarmos os três novos filmes, você percebe que a trama política que Lucas criou para o personagem de Palpatine chegar ao poder é de fato muito boa, mas ao contrário da velha trilogia, o que acontece no resto dos filmes é totalmente frustrante, com cenas desnecessárias e “desvínculos” absurdos. Mas mesmo assim, existem algumas raras cenas interessantes no Episódio I (afinal são quase 3 horas de filme), são elas: a corrida de Pods, a luta final entre Obi-Wan Kenobi e Darth Maul e… só!

Poster IINem a vinda dos episódios 2 e 3 conseguiram agregar algum valor a esta nova trilogia. A começar pelo título do Episódio 2 – “O Ataque dos Clones” (2002). Lucas, em entrevista à imprensa, informou que queria fazer uma homenagem aos filmes antigos de terror (!?). Eu estava torcendo para que fosse Episódio 2 – As Guerras Clônicas, mas esse título seria melhor que o filme, então deixa como está mesmo. Eu destaco como pior momento de Episódio 2, a cena em que Anakin pula da nave e cai em queda livre atrás do caçador de recompensas.

Após alguns anos, imaginei que o Episódio 3ep3poster_medium-large – A Vingança dos Sith (2005), seria o ponto alto da nova trilogia, afinal, era o nascimento de Darth Vader. Mas infelizmente, veio outra frustração. A luta entre Obi Wan e Anakin é uma das mais longas e monótonas de toda a série. Sem falar que eles ficam em pé na lava ardente, se equilibrando apenas em cima de um robozinho e uns pedaços de escombros. E a pior parte, é quando Darth Vader se levanta da mesa de operações, parecendo o robô de Perdidos no Espaço (1965)gritando: “-Nãããoooooo!!”Até hoje eu tento tirar esta imagem da cabeça.

TRILOGIA ATUALIZADA?

E para finalizar, como se não bastasse errar com os novos filmes da saga, Lucas teve a grande ideia de mexer “novamente” na velha trilogia. Retirou o ator inglês Sebastian Lewis Shaw JediGhosts(que deu o rosto a Darth Vader) do final do filme O Retorno de Jedi para colocar o ator Hayden Christensen, que fez o papel do vilão mais jovem. Uma falta de respeito grande por um ator já falecido. E o engraçado é que nesta mesma cena, pela lógica, o ator Alec Guiness (que interpretou Obi-Wan Kenobi mais velho) também deveria ter sido substituído por Ewan MacGregor, o ator que interpretou o mestre jedi na juventude.

Não vamos nem comentar sobre o mesmo grito: “-Nãããoooooo!!” que acrescentaram em Darth Vader, no duelo final entre Palpatine e Luke Skywalker no sexto filme da franquia. O mesmo grito!

E como se esperava, vieram toneladas de jogos para videogame, bonecos, séries animadas (que acredite, são melhores que os novos filmes), brinquedos de todos os tipos, DVDs de diversas versões, etc. E quando pensamos que ele não poderia lançar mais nada, chega novamente aos cinemas os filmes recauchutados em 3D “fake”.

disney-starwarsQUE A FORÇA ESTEJA COM A DISNEY

Após anos de infortúnio, eis que surge uma luz na escuridão do espaço… Os estúdios Disney anunciam a compra da LucasFilm e anunciam logo de cara, o lançamento de uma nova trilogia de Guerra nas Estrelas (Episódios 7, 8 e 9). E logo após esta bombástica notícia, o diretor J.J. Abrams, responsável pelo renascimento de franquia Jornada nas Estrelas (2009), foi oficialmente escalado pela Disney para dirigir e produzir o primeiro filme desta nova saga.images

Quando eu soube do fato, o adormecido frio na barriga despertou, criando um conflito de incertezas e empolgação em relação ao que está para surgir. Talvez eu me decepcione, talvez não. Mas uma coisa é certa. O filme tem tudo para dar certo, pois a Disney, apesar de capitalista, sabe manter os fãs vinculados à ela, sempre criando o que realmente eles querem. E o melhor de tudo é que J. J. Abrams é um diretor jovem e inovador, ou seja, tudo que George Lucas um dia foi, com a diferença de estar bem financiado.

CONCLUSÃO

Peço aos filmeiros mais inflexíveis que me perdoem, mas quem é fã de verdade de Guerra nas Estrelas sabe do que estou falando. Mas assim como existem os Trekkies (fãs do primeiro seriado Jornada nas Estrelas dos anos 60) e os Trekkers (fãs do universo Jornada nas Estrelas), existem os fãs da velha e intocável trilogia e os fãs do novo universo de “Star Wars”.

Tchau Ani!!

2 comentários para O Jedi que tornou-se Sith

  • Marcio  Diga :

    Cara, dificilmente comento alguma coisa nesses sites de opiniões, mas como você escreveu exatamente o que eu penso, resolvi comentar. Só não concordo com a corrida de pods, que considero muito chata e que Anakin jamais ganharia aquela corrida com todos os problemas que teve (excessos de George Lucas).
    Concordo plenamente com o que você disse sobre a falta de respeito com o ator Sebastian Shaw, não vi ninguém falando disso.
    Parabéns.

  • Marcio  Diga :

    Outra coisa que esqueci de comentar. Bem que a Disney poderia pegar a trilogia clássica e consertá-la novamente. kkkkkk

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