As três faces de um herói

sherlock

SHERLOCK vs HOLMES

Dentre tantas obras literárias interessantes já criadas pelo homem, existem aquelas as quais deveriam ser protegidas intelectualmente por alguma lei de “tombamento literário”, para que jamais fossem modificadas “radicalmente” por qualquer meio de comunicação ou entretenimento. No cinema atual, a falta de critério e bom senso já deteriorou bons livros, ofuscando o encanto da sua originalidade e transformando-os em algo moderno demais, porém banal e sem graça. Modernizar, adaptar ou aprimorar uma obra sempre é bem-vindo e por muitas vezes necessário, mas adulterar ou deturpar mais do que a metade da sua concepção original é um verdadeiro crime contra a cultura e a criatividade de seu autor.

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO?

Muitas dessas criações foram concebidas numa época onde a cultura e o desenvolvimento social eram totalmente limitados e bem diferentes da nossa realidade, o que torna qualquer obra clássica uma relíquia intelectual quase “intocável”.

Esta delicada observação é dedicada ao “modismo” da falta de criatividade que vem assolando as maiores indústrias de entretenimento do mundo, que preferem dedicar-se à rentabilidade de suas produções, atropelando e modificando grandes obras literárias, do que homenagear e respeitar o ponto de vista de seus autores.

Arthur-Conan-Doyle

Existem pouquíssimos filmes que ainda respeitam seus criadores, eternizando criações realmente importantes para as futuras gerações. Porém, o capitalismo cinematográfico sempre tenta distorcer estas relíquias no intuito de criar franquias e sequencias “milhionariamente” interessantes para os envolvidos. – “Cultura, valores morais e criatividade? Que nada… Queremos grana!!” – E foi com este pensamento que muitos estúdios caçam como predadores, qualquer “elemento” para explorar, distorcer, enlatar e distribuir para nós fãs da sétima arte. Um dos principais (e mais recente) exemplo disto é Sherlock Holmes, a principal criação do célebre escritor escocês, Sir Arthur Conan Doyle, que atualmente foi transportada para o cinema e para a televisão: Sherlock Holmes (filme – 2009/2011), Sherlock (série – 2010) e Elementary (série – 2012).

QUANTOS LADOS TEM UMA MOEDA? sherlock-holmes

Quando surgiram os primeiros boatos em 2008, informando que iriam produzir um filme sobre Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro Watson, eu fiquei realmente muito ansioso para assisti-lo. E com o avanço desenfreado da tecnologia digital no cinema, Hollywood reproduziria muito bem a melancólica Londres de 1887. E se fôssemos contemplados com um bom elenco, com as histórias de Sir Arthur bem adaptadas, teríamos um grande filme com excelente premissa para sequencias, afinal existem mais de 60 obras baseadas no herói britânico.

Phqdefaultrimeiro Lado

Até que em 2009, o filme Sherlock Holmes, estrelado por Robert Downey Jr. e Jude Law, chega aos cinemas do mundo todo apresentando personagens bem diferentes do livro de Sir Arthur. Nesta nova versão, a astúcia e a elegância características do herói britânico, foram deixadas de lados para dar lugar à um personagem presunçoso, imprevisível, extremamente cômico, perito em golpes de jiu-jitsu e dotado do famoso poder de dedução, bem ao estilo “sentido-aranha”, do famoso herói da Marvel.harold & Lloyd

O filme é divertido, mas seria muito melhor se não fosse pelo simples fato dos personagens não condizerem em nada com os originais. A modernidade exagerada e desnecessária deturpou totalmente a criação de Sir Arthur Conan Doyle. Se esta produção trouxesse uma nova proposta, com um outro título, como por exemplo: As Aventuras de Harold & Lloyd (uma homenagem ao grande comediante do cinema mudo dos anos 30), aí sim, seria de fato uma excelente franquia, pois ele traz todos os elementos cativantes que o público gosta: muita ação, doses exageradas de humor pastelão, a boa direção de Guy Ritchie, a trilha envolvente de Hans Zimmer e claro, os talentos já conceituados do ator inglês Jude Law e do gringo Robert “Stark” Downey Jr., que apesar de ser um ator americano fazendo papel de um personagem inglês, sempre é divertido vê-lo em ação.

Nota: 3 Stars

O Segundo Lado

02-001Em 2010, a rede inglesa BBC, pertinentemente apresenta Sherlock, uma nova série para a TV que tornaria-se a melhor referência sobre Sherlock Holmes do mundo moderno. E apesar de ser ambientado em nossa época, as histórias de Sir Arthur não foram tão distorcidas, mas sim, bem adaptadas e apresentadas em um formato sério e intrigante. As atuações ficaram a cargo de uma dupla de atores originalmente inglesas e talentosas: Benedict Cumberbatch (O Khan de Star Trek 2) e Martin Freeman (o Bilbo do filme Hobbit).

Ao criarem a série, os escritores souberam dosar perfeitamente a personalidade de cada um dos personagens, para que não se tornassem monótonos ou excêntricos demais. As histórias são realmente intrigantes e bem humoradas, isso graças ao toque cômico de Martin Freeman, que atua brilhantemente como Watson, o fiel amigo de Holmes. A ação é bem focada e não traz lutas exageradas ou poderes intuitivos “sobrenaturais”, pelo contrário, a série nos apresenta uma visão formal e moderna, mas sem virar as costas para o passado. Cada temporada é constituída de apenas 3 episódios frenéticos e inusitados de 1 hora e meia cada. Esta série realmente nos impulsiona a conhecer, através da leitura, um pouco mais sobre este grande detetive inglês.

Nota: 5 Stars

O Terceiro Lado

O terceiro lado (e o mais fino) da moeda, fica à cargo da fraquíssima série Elementary, estrelada pelo quase figurante e pouco conhecido ator inglês Jonny Lee Miller (seus melhores filmes foram Hackers – 1995 e o excelente Transpotting – 1996) e pela norte-americana Lucy Liu (As Panteras – 2000) , no papel (pasmem!) de Watson. Além de mudarem radicalmente a íntegra do companheiro de Holmes, a série se passa em Nova York, nos Estados Unidos.

Em sua sinopse, a série nos traz um moderno Sherlock Holmes, que após a morte de sua esposa, entrega-se às drogas, forçando a Scotland Yard dispensá-lo do cargo de consultor. Após anos em um centro de reabilitação, Holmes decide ir para os Estados Unidos tentar trabalhar como consultor da polícia de Nova York.

Chegando na América, Sherlock conhece a “cara” Dra. Joan Watson, uma ex-cirurgiã que perdeu sua licença após a morte de um paciente e como castigo, passa a acompanhar Holmes nas investigações junto a polícia de Nova York.

A atriz Lucy Liu até convence bem em seu papel, que poderia ser qualquer personagem, ao invés do bom e velho Dr. Watson. Quem também teve uma mudança radical foi o arqui-inimigo de Holmes, o inteligentíssimo professor Moriarty agora deu lugar também para outra mulher, mais precisamente uma “pintora/golpista”, interpretada pela belíssima Natalie Dormer (a princesa Tyrell de Game of Thrones), que no início da série, fazia o papel da esposa de Holmes, que simulou sua própria morte culpando um assassino fictício chamado Moriarty. Anos mais tarde, ela reaparece na vida do drogado detetive inglês para atormentá-lo, revelando-se como a sua principal inimiga, a própria Jamie Moriarty (loucura hein?!)

Bom, pelo que assistimos, podemos afirmar que a série não ficará muito tempo no ar. Muito maçante, com episódios pouco inteligentes, com muitas situações forçadas para tentar impressionar o público. Bem diferente da história original e do seu concorrente da rede inglesa BBC.

 Nota: 1 Stars

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