Uma Dupla de Dois Filmes

Dupla de dois

Máquina MortíferaUM É POUCO…

Considerado como os melhores filmes de ação-policial já produzidos pela indústria do cinema, Máquina Mortífera I (1987) e II (1989), fizeram um feito inigualável… recriar a fórmula de sucesso, que até hoje, nenhum diretor conseguiu repetir: inovar o velho esteriótipo de policial bom e policial mal. Claro que esta façanha deve-se à diversos fatores positivos, como uma trama frenética e contundente e humor bem dosado. E como se não bastasse, um bela trilha sonora, ao som de um saxofone com uma leve pegada de blues, completam a cena e traduzem poeticamente os sentimentos de cada personagem.

A principal música do filme foi composta por Michael Kamen e ninguém menos que o mestre Eric Clapton e sua guitarra inconfundível.

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1122019711220197E todo esse sucesso, também deve-se unicamente a visão e a responsabilidade do diretor Richard Donner, que soube administrar muito bem as atuações de Mel Gibson e Danny Glover, não permitindo que um ofuscasse a estrela do outro.

Máquina-Mortífera-2…DOIS É BOM…

Ao saber amarrar as pontas soltas, o diretor Richard Donner conseguiu transmitir toda a segurança que os executivos da Warner estavam querendo naquela época, dando-lhe total liberdade para uma sequencia. E foi isso que aconteceu. Dois anos depois, Maquina Mortífera 2 (1989), chega às telas trazendo a mesma fórmula de sucesso do antecessor: uma boa história, uma trilha envolvente, muita ação e humor, com o brilhante Joe Pesci, como um informante atrapalhado. Mas infelizmente, alguns diretores não sabem lidar com muita liberdade e acabam estragando tudo na tentativa de “caprichar” o que já estava bom.

…TRÊS É DEMAIS…mc3a1quinamortc3adfera3

Quatro anos depois, a dupla de policiais mais mortífera do cinema retornaria em Máquina Mortífera 3 (1993). Uma sequencia mais fraca, porém divertida. Entre os pontos fracos, está o acréscimo de mais protagonistas, dividindo a atenção da dupla, que é o centro do filme. Agora, além de Mel Gibson, Danny Glover, Joe Pesci e Steve Kahan como o simpático capitão Murphy, temos a inclusão (desnecessária) da bela Rene Russo como par romântico de Gibson, fazendo o papel de uma policial linha dura da corregedoria, que gosta de pegar no pé dos nossos heróis. Mas esta adição “extra” é compensada com a presença do ótimo vilão Jack Travis, interpretado pelo excelente Stuart Wilson (que também faz o vilão Don Rafael em A Máscara do Zorro).

Com um clima similar a uma série de TV (cheia de humor e personagens), esta terceira continuação é legalzinha, porém está longe de ser realmente uma sequência dos seus antecessores.

…QUATRO JÁ É SACANAGEM!

Máquina Mortífera 4Até que em 1998, o fim da franquia consolidou-se com a chegada da quarta sequencia, que infelizmente, parece que o diretor somente o fez para cumprir um contrato com o estúdio. O filme não tem trama, nem ação, sem o típico humor, perseguições cansativas, figurantes asiáticos “manjados” de outros filmes, personagens que não convencem e se já não bastasse tantos pontos negativos, agora temos SETE protagonistas (que quase não cabiam no cartaz, como mostramos ao lado).

O vilão de Jet Li por exemplo, é apresentado ao público como o mestre das artes marciais mais malvado, perigoso e inatingível de toda a franquia, porém em diversos momentos, os personagens de Gibson e Glover conseguem acertá-lo com simples socos e pontapés. E como de costume, nos filmes de Jet Li, suas cenas de lutas sempre têm um “cabinho” de aço para ajudar incrementar seus golpes. Um artifício desnecessário para um filme que tinha no início uma outra proposta. Já o humor bem dosado dos outros filmes foram substituídos por piadas escrachadas e sem graça, disputadas entre Joe Pesci e o comediante Chris Tucker. 

Para finalizar, podemos concluir que Máquina Mortífera é uma daquelas produções criativas no início por terem um modesto orçamento, mas após um sucesso repentino, não conseguem manter a mesma qualidade e acabam tornando-se uma decepção em suas sequências “comerciais”.

Assista apenas os dois primeiros filmes. Se sentir saudades da dupla, veja o terceiro, mas pare por aí! Palavra de filmeiro. 😉

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