Uma nova Jornada

star trek

AUDACIOSAMENTE INDO, ONDE NENHUM DIRETOR JAMAIS FOI

Quando se fala em Jornada nas Estrelas, alguém sempre faz uma “piadinha” ao comparar com Guerra nas Estrelas e vice-versa. Mas quem acha que existe alguma “rixa” entre fãs ou comparação entre esses filmes, é porque não conhece nada das duas franquias

trioSou defensor rigoroso da velha trilogia de Guerra nas Estrelas e também fã dos filmes de Jornada nas Estrelas, estrelados pelo clássico trio William Shatner, Leonard Nimoy e DeForrest Kelley. E afirmo que a única coisa em comum entre os filmes é a palavra “Estrelas” do título de cada um.

Quando Gene Roddenberry criou Jornada nas Estrelas em 1966, ele não contava com a química entre os três atores principais. E mesmo depois da série de TV ter sido cancelada em 1969, por baixa audiência, o escritor apostou no cinema, lançando o primeiro filme em 1979, intitulado Jornada nas Estrelas – O Filme. Anos depois, fizeram mais cinco filmes estrelados pelo mesmo elenco da série original e dirigidos por Nicholas Meyer e Leonard Nimoy (o nosso eterno Spock). Todos muito bons e divertidos (com exceção do quinto filme dirigido por William Shatner).

Star Trek x Star WarsSTAR TREK x STAR WARS

Em relação às semelhanças entre Guerra nas Estrelas (Star Wars) e Jornada nas Estrelas (Star Trek), podemos afirmar que são totalmente infundadas, com uma apenas uma leve similaridade em seus títulos, e só. Enquanto Jornada nas Estrelas têm suas histórias focadas na exploração dos mistérios do universo e na incansável busca filosófica do homem por sua existência, Guerra nas Estrelas nos apresenta um universo muito mais vasto e violento, que na sua maioria, é popularizado por civilizações ambiciosas e corruptas, que procuram sobreviver à todo custo. Ou seja, enquanto um é mais introspectivo, o outro é mais expansivo. As vilanias de Jornada nas Estrelas sempre partem de um único personagem, enquanto em Guerra nas Estrelas sempre têm alguma raça, facção ou “império”, proliferando e ditando a desordem pelo universo. Entre ambas, eu sou muito fã da velha trilogia de Guerra nas Estrelas, porém, tenho em minha DVDteca todos os filmes para cinema do Capitão Kirk (com exceção do péssimo Jornada nas Estrelas V – A Última Fronteira), incluindo os dois últimos, dirigidos por J.J. Abrams. Assista algum dos filmes em questão e tirem suas próprias conclusões.

STAR TREK (2009) 

Dezoito anos depois do último filme da franquia, J.J. Abrams, criador da famosa série Lost, nos brinda com um novo Jornada nas Estrelas (ou Star Trek para os mais exigentes); mais moderno, com novos atores e efeitos visuais bem bacanas, produzidos pela empresa de George Lucas.

Apesar de Abrams ter tido o maior cuidado e respeito pelos fãs da série, convidando inclusive o Spock em pessoa (Leonard Nimoy) para fazer uma participação, alguns “trekkies” (fãs incondicionais do seriado dos anos 60) não gostaram muito dessa nova versão, alegando ter muitos “flashes de luzes”, efeitos especiais e sonoros exagerados. Mas convenhamos, se o Sr. Nimoy deu sinal verde ao roteiro, a crítica internacional aclamou e mais da metade da humanidade aprovou, isso quer dizer que J.J. Abrams acertou de alguma forma; e cá pra nós, ele acertou bonito!

O novo filme de Star Trek se passa anos antes do primeiro filme de 1979, quando a tripulação ainda era jovem e não se conheciam. A trama, bem elaborada, cria uma nova oportunidade para uma série de filmes que devem acontecer nos próximos anos, sem afetar os filmes antigos. Isso porque Abrams não queria refilmar os clássicos, e sim, sugerir um novo ponto de vista aos fãs antigos e ao mesmo tempo, apresentar a série ao público novo.

A VOLTA DOS QUE JÁ FORAM

A nova trilha sonora também chama a atenção. Composta por Michael Giacchino (foto), o tema cria uma atmosfera de celebração e modernidade, engrandecendo ainda mais a franquia. Sem desmerecer o famoso tema de Alexander Courage (compositor original da série dos anos 60), que prevalece nos créditos finais do filme em uma versão mais atual e sutil.

Michael Giacchino

O elenco, encabeçado por Chris Pine no papel do Capitão Kirk e Zachary Quinto como Spock, foram escolhidos à dedo pelo diretor, que conseguiu acertar na química e na “presença de palco” dos atores, através de personagens mais modernos e revigorados, prontos para novas aventuras, trazendo informações curiosas que, até então, eram desconhecidas do público geral (menos para os fãs assíduos da série). Mas entre essas escolhas, a que mais deixou dúvidas entre os produtores, foi quem conseguiria fazer o papel de Spock. O ator teria que convencer milhares de fãs Trekkies (fãs da série clássica) e Trekkers (fãs do universo Star Trek), pois o vulcano é um dos personagens mais idolatrados de todos os filmes de Jornada nas Estrelas. Mas apesar de ninguém conseguir superar o alter ego de Leonard Nimoy, o ator Zachary Quinto (o vilão da série Heroes) nos convence, apresentando um novo Spock, menos experiente e mais “lógico”.


STAR TREK – ALÉM DA ESCURIDÃO (2013)

E como era de se esperar, o diretor J.J. Abrams volta a nos impressionar com o excelente Star Trek – Além da Escuridão. O filme consegue superar o primeiro pela dinâmica, ação, efeitos visuais, e principalmente, a liberdade criativa do roteiro que flui harmoniosamente, graças a ideia de alterar o curso da historia dos personagens, lançado em 2009.

khanQuando vi o trailer e alguns spoilers do filme pela internet, eu fiquei com o “pé atrás” ao descobrir que o grande vilão do filme seria John Harrison, um personagem totalmente desconhecido para mim. Eu ainda imaginei como seria interessante se fosse Khan em vez desse novo vilão, que parecia ser muito inteligente e astuto. Mas confiante na visão de Abrams, eu aguardei a estréia do filme. E então, ao assistir a cena do personagem dizendo o seu verdadeiro nome – “My name is KHAN!” –, eu quase pulei da cadeira. Nem mesmo os mais espertos filmeiros americanos conseguiram descobrir de quem tratava-se realmente.

tumblr_lxclsysdu01qixaveo1_1280O ator britânico Benedict Cumberbatch (da série Sherlock), está “mais que perfeito” no papel do vilão, que um dia foi do saudoso ator Ricardo Montalban em 1967 e reprisado em Jornada nas Estrelas – A Ira de Khan em 1982. Também destacamos Peter Weller (o primeiro e único Robocop do cinema) como o Almirante Marcus, pai da Dra. Carol Marcus, personagem que também aparece no filme de 1982.

A FRONTEIRA FINAL DO DESTINO

Os fãs dos filmes clássicos de Jornada nas Estrelas, devem ter percebido que, J.J. Abrams conseguiu manter, de forma criativa e interessante, o “destino” dos personagens. Desde o lançamento do seu primeiro filme em 2009, quando o jovem Kirk sabota os testes de aptidão da academia, até o segundo de 2013, quando acontece o mesmo final emocionante do filme de 1982, com a diferença apenas de uma sutil “troca de papéis”.

Resumindo… Até que se prove o contrário, o novo Jornada nas Estrelas voltou com tudo, mostrando que tem muitas histórias interessantes para contar. E se você gosta de ficção com  muita aventura e diversão, deve assistir esta superprodução. E aguardamos ansiosos o novo Star Wars de J.J. Abrams!!

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